Existe em Itajaí uma ‘pequena grande’ celeuma que envolve o nome do próprio município. Esta celeuma (que é pequena por ter sido uma discussão ocorrida anos atrás, porém grande pelo que envolve) voltou no último Sarau Benedito, realizado nesta segunda-feira, 17, no Café & Cultura, onde comumente se realiza o sarau. E tudo por causa da leitura de uma poesia do escritor Hermes Justino Patrianova, um dos defensores de que o nome de Itajaí viria não do “rio que corre sobre pedras” e sim do “bico-do-papagaio”, que, na verdade seria um Jaó. Daí, segundo Patrianova, o nome Itajaí (Rio do Jaó de Pedra). Já de acordo com o historiador Edison d´Ávilla, o atual Bico-do-papagaio seria um artefato nascido das explosões por dinamite ocorridas naquele local para a abertura da atual rua Francisco Canziani. E esse fato é contestado por Patrianova na obra ‘Pequeno Livro’, onde está a tal poesia que deu origem a discussão no Sarau Benedito – o tema desse sarau era Poesia Itajaiense – com o seguinte trecho: “Um pássaro de GRANITO que aflorou na ponta de um Morro de ardósia nunca poderia ter sido produto de dinamitação, mesmo porque a pedra mole que chegava até às proximidades do pássaro granítico não deve ter sido dinamitada (…), onde já era ‘carreiro’ dos Índios Carijós”.
Teria vindo o nome de Itajaí do tal ‘Jaó de Pedra’, que existiria há muito mais tempo que se pensava? Ou o nome viria mesmo do “rio que corre sobre pedras”, ou então do “rio dos Taiás”? Aliás, esta primeira opção sempre me pareceu estranha, pois nunca vi as tais pedras desse rio, a não ser quando se viaja para perto da nascente, dezenas de quilômetros rio acima, lá pros lados de Rio de Sul.
E, para piorar a situação, ou melhorar a confusão, estava eu com o livro “De Itajahy a Itajaí – Cem anos de poesia”, organizado por Magru Floriano, de onde retirei mais algumas poesias que citavam o Jaó de Pedra (ou com o nome Bico do Papagaio) sendo algo natural. Claro que estas poesias não nos dão nenhuma prova concreta, porém, a poesia vem do povo, que é o memorialista principal deste tipo de história, ao que parece, não documentada. O único documento conhecido sobre o assunto é a opinião de Edison d´Ávila, esta publicada em 1981 no jornal A Nação: “(…) O Pássaro de Pedra (…), na verdade resultou da dinamitação das Ribanceiras do Morro de Cabeçudas, quando na década de 30, promoveu a abertura da estrada para aquele Balneário”. E, agora, vamos ás poesias que citam o Bico do Papagaio como sendo obra da natureza: (…) O pássaro Jaó-de-Pedra,/ Erguido pela Natureza,/ É o eterno bico-do-pagaio,/ muito apreciado por sua beleza (Camila Liberato de Souza). (…) Natureza esculpiu em pedra/ Bico de Papagaio como um totem guardião (…) (Carlos Alberto Niehues na famosa ‘Ares de Verão’). (…) o nome dela/ vem do Tupi./ “Taiá da água” (…) (Padre Schimitt).“(…) Curvo-me à tua magnitude,/ Obra-prima da natureza (…)” (Álvaro Castro).
Claro que a discussão não se encerra aí, mesmo porque, no mesmo livro, há a poesia ‘Itajaí’, de Antônio A. Nóbrega Fontes que diz, em 1940, que “Assim chamou-te um dia o índio bravo (…)/ Ele viu que tuas margens/ Eram cobertas de Taiá/ E que tu corrias entre as rochas” dando mais pimenta ainda ao assunto. Aliás, o assunto, inclusive foi discutido no sarau, poderia ser rapidamente ter seu desfecho com um parecer de um geólogo. Provavelmente ele poderia dizer se é um “Bico do Papagaio” (nascido ao acaso da ação humana) ou, então, um “Jaó de Pedra”, esculpido pela natureza e, aí sim, provavelmente a referência que deu o nome à cidade, mas aí é outra discussão.
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Março 20, 2008 às 4:27 pm |
Meu tio Jaó, uma verdadeira pedreira, tinha bico-de-papagaio e nem havia tanta polemica assim lá na casa dele!
Março 20, 2008 às 4:29 pm |
AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA
Tá bom, Helinho, tá bom.
Março 20, 2008 às 6:17 pm |
Na verdade, meu caro Mafra, o tio Jaó era doido de pedra, e, ao ler que eu escrevi acima, minha tia Zazinha me falou que havia sim uma polêmica: Não se sabia bem se o tio Jaó tinha bico de papagaio porque era doido ou se ele era doido por que tinha bico de papagaio. De uma coisa me lembro: quando eu chegava na casa dele eu falava… – ”Dá o pé tio Jaó! E ele falava: -“Curupaco-papacu!””.
Junho 16, 2009 às 9:58 pm |
Fico feliz em ver divulgado por você o poema e a versão defendida pelo meu pai acerca da origem do nome do rio que deu o nome à cidade.