Manuel Maria de Barbosa l’Hedois du Bocage nasce, em Setúbal, Portugal, em 15 de setembro de 1765. Morre aos quarenta anos, em 21 de dezembro de 1805. Duzentos e três anos após o desaparecimento de Bocage, é a vez do Sarau Benedito, na sua 27ª edição, homenagear um dos maiores poetas das terras lusitanas. O Sarau Benedito começa sempre às 20h, no Café & Cultura, lá no Mercado Velho de Itajaí.
Bocage passou pelo Brasil em 1786, permanecendo algum tempo no Rio de Janeiro, onde escreveu um poema ao vice-rei cheio de bajulações, pois queria ficar definitivamente no Brasil. Porém, como o vice-rei não gostava desse tipo de coisa, fê-lo seguir viagem para as Índias. Porém, não é da famosa bajulação escrita ao vice-rei é que vamos falar. E sim da genialidade do poeta lusitano, que andou na corda-bamba entre o “bem” e o “mal”. Entre a poesia arcádica e a poesia fescenina, muitas da qual, renegadas pelo próprio autor, quando passou pelo Brasil, Bocage já era reconhecidamente um grande poeta em Portugal. Mas sua vida também foi a mesma corda-bamba que sua própria poesia, e foi preso até mesmo pela Inquisição da igreja católica. Mais tarde, no final dos anos 1790 foi preso novamente, agora por “desordem dos costumes”, mas, depois, preso novamente pela Inquisição, passou mais de um ano detido. Quando saiu, trabalhou com um frade brasileiro, muito bem posicionado na sociedade portuguesa, e que lhe trouxe bons trabalhos na área da tradução e isso durou até 1801. Bocage morreu de aneurisma, em 1805, numa casa na atual Rua André Valente. No dia do nascimento dele, 15 de setembro, em Setúbal é feriado.
Culto à palavra
O Sarau Benedito, que tem reunido um bom público – formado não apenas por escritores, mas também por estudantes, atores, músicos e outros artistas, além de admiradores de literatura em geral –, tem por objetivo o culto à palavra e a apreciação da boa poesia. O sarau é realizado – sempre com entrada franca – pelo grupo de escritores que produz o caderno literário CLAP, de forma cooperativa (todos pagam o mesmo valor, custeando a impressão do caderno).
Auto-retrato
Magro, de olhos azuis, carão moreno,
Bem servido de pés, meão na altura,
Triste de facha, o mesmo de figura,
Nariz alto no meio, e não pequeno.
Incapaz de assistir num só terreno,
Mais propenso ao furor do que à ternura,
Bebendo em níveas mãos por taça escura
De zelos infernais letal veneno.
Devoto incensador de mil deidades,
(Digo de moças mil) num só momento
Inimigo de hipócritas, e frades.
Eis Bocage, em quem luz algum talento.
Saíram dele mesmo estas verdades
Num dia, em que se achou cagando ao vento. – Bocage
Detalhe do quadro Bocage e as Ninfas na prisão, de Fernando Santos, 1929
Tags: sarau benedito, poesia, literatura, bocage, poesia erótica, poesia arcadista

Abril 14, 2008 às 4:08 am |
…chegarei super atrasada como de costume e vou beber aquele cabernet maldito que só pode ter sido feito das uvas que o diabo amassou.
Abril 14, 2008 às 11:24 am |
Das uvas que o diabo sentou, vosmecê quis dizer não foi?