Li na semana passada, numa coluna pseudo-jornalística de uma “dupla de dois”, mais uma crítica aos bombeiros etc. etc, que estão procurando o tal padre maluco que saiu no vôo içado por balões de festa. Disse “mais uma crítica” pois já tinha visto um outro “comentarista” de jornal televisivo fazendo a mesma crítica.
Oras, também achei uma idéia estúpida a do padre De Carli. Mas, o que não acho estúpido, é a busca por um ser humano, seja ele quem for, que cometeu um erro e que não mereceria morrer por este erro. Mereceria, é claro, sofrer um pouco, pois senão não aprenderia com ele. Mas nunca morrer (muito menos abandonado pois “está custando dinheiro público”). Pra merecer morrer um ser humano tem que ter feito muito mal. Vi um dos socorristas que continuam nas buscas dizendo que, enquanto houver uma chance mínima que seja, eles continuarão procurando. Estas chances parecem acabar depois desses próximos dois dias, quando um ciclone (ou anti-ciclone, não sei ao certo) extra-tropical atinge nossa costa (aqui chove e faz frio desde quarta à noite). Mas eles continuam procurando por um ser humano que cometeu um erro. Um erro que só comete quem arrisca. Ele arriscou. Beleza. Teve a aquisciência de outras pessoas, que nem por isso merecem morrer. Todas irão aprender com o erro do padre. Até ele, caso estiver vivo. Agora, o que não gosto é de ler um ataque deste tipo contra um ser humano que -, por mais estúpido que tenha sido sua ação – não merece ser abandonado por seus pares humanos, como, repito, qualquer outro ser humano. Mas, esperar o que da “dupla de dois” (além do tal comentarista da RBS, entre outros) do nosso jornalismo local?
Outra coisa, é que estão quantificando a vida dele; quanto custa essas tentativas de resgate?, quem está pagando? São estas as perguntas que alguns estão fazendo. Bem, se pra eles a vida humana tem algum valor, vejo que estamos caminhando bem… para o fundo do poço.
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