Bob Dylan

By Rômulo Mafra

Após vinte e nove edições, entre nomes como Paulo Leminski, Adélia Prado, Vinícius de Moraes, Bento Nascimento, Marcos Konder Reis, Ferreira Gullar, Bocage, Sylvia Plath, Hilda Hilst e muitos outros, o 30º Sarau Benedito preparou um especial na última segunda-feira, dia 26 de maio, quando homenageou um dos mestres da música internacional, o cantor, poeta e escritor Robert Allen Zimmerman, ou, simplesmente, Bob Dylan. Nascido em 1941, Bob Dylan que teve seu nome cantado até por John Lennon (na canção “God”), continua em atividade até hoje, já com seus 67 anos, incluiu mais uma visita ao Brasil neste ano de 2008; já gravou 45 álbuns desde 1962, quando iniciou a carreira de músico, chamado apenas “Bob Dylan”, dedicado ao “folk tradicional”. Em 1963 lança seu primeiro álbum apenas com canções suas, o famoso “Freewhelin’ Bob Dylan”, que contém “Blowin´ in the Wind”, virando logo um hino dos movimentos pelos direitos civis, que começavam a tomar corpo na década de 60. Porém, Dylan não queria ser rotulado como cantor de protesto, mesmo tendo neste mesmo – e importante – álbum, músicas como “Masters of War” – com uma letra confessadamente contra praticamente todos os regimes políticos – e “A Hards-Rain a Gonna-Fall”. Após o sucesso inicial de “Blowin´ in the Wind”, veio a fama com “The Times They Are-A-Changing”, em 1964, mas Dylan teve seus altos e baixos, como qualquer outro artista que pretenda ter uma carreira tão longa, e em 1966 sofreu um acidente, ao mesmo tempo em que sua carreira era julgada precocemente por mudar seu estilo – esta mudança começou já em 1964 –, agora com uma veia mais roqueira e suas letras sendo mais introspectivas, deixando um pouco as “canções de protesto”. O acidente, com sua moto, retirou-o do palco por dois anos. Quando voltou, em 1968, Dyaln apresentou seu lado country, com o disco “John Wesling Hardin”, porém, só retornou aos palcos em 1974.

Bob Dylan, como toda “lenda”, teve suas controvérsias nestes mais de 40 anos de carreira, chegando até a se converter a uma igreja, passando a tocar música gospel (mas não por muito tempo, gravando, quando saiu da igreja – e voltando a suas raízes judaicas –, o disco “Infidels”), e é por sua poesia musical, suas letras engajadas, sua música, além do ótimo “Crônicas Volume 1”, de 2003, ótimo livro que conta seu começo de carreira é que o Sarau Benedito prestou sua devida homenagem a Dylan.

Culto à palavra

O Sarau Benedito, que tem reunido um bom público – formado não apenas por escritores, mas também por estudantes, atores, músicos e outros artistas, além de admiradores de literatura em geral –, tem por objetivo o culto à palavra e a apreciação da boa poesia. A entrada do Sarau Benedito, como sempre, é franca. A participação do público, necessária. E assim, dizemos, “longa vida ao Sarau Benedito!”.

O Sarau Benedito é realizado pelo grupo de escritores que produz o caderno literário CLAP, de forma cooperativa (todos pagam o mesmo valor, custeando a impressão do caderno).


Come you masters of war
You that build the big guns
You that build the death planes
You that build all the bombs
You that hide behind walls
You that hide behind desks
I just want you to know
I can see through your masks

Bob Dylan, em “Masters of War”

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