“Quanto mais desmatar, mais vai inundar”

[tweetmeme source=”romulomafra” only_single=false]retirado daqui:

A área da bacia hidrográfica do rio Itajaí é de 15.000 km² e abrange 47 municípios catarinenses. Em linha reta, a nascente fica a 160 km de distância de Blumenau, em Papanduva (SC). Toda a água drenada nesta imensa área da bacia hidrográfica passa por Blumenau e Itajaí um pouco antes de ser despejada no Oceano Atlântico. Portanto, devido à localização e a imensa bacia hidrográfica situada em uma região com elevado índice pluviométrico, qualquer chuva forte causa problemas nestas cidades.

São comuns fotos antigas mostrando inundações em Blumenau. No álbum da minha família há várias destas fotos já amareladas, de um período na década de 50, em que meu irmão mais velho morou na cidade para estudar. Não é por acaso que desde sua fundação, em 1852, Blumenau já teve 70 enchentes registradas. Uma a cada 2 anos e 3 meses. Um ano após a fundação, há relatos de que foi inundado o vilarejo formado pelos primeiros colonizadores.

Nos últimos anos, aumentou a pressão para destruir o que resta de mata ciliar preservada, sobretudo nas cabeceiras do rio Itajaí. Isto significa que as enchentes em Blumenau devem se tornar muito piores nos próximos anos.

As matas preservadas prestam um serviço ambiental de reter a água das chuvas e liberá-la aos poucos para os rios. Sem as matas, as águas das grandes enxurradas escoam instantaneamente para os rios provocando as enchentes. Com a devastação que está ocorrendo, a situação de quem vive em Blumenau e Itajaí fica a cada dia mais dramática.
(…)

Diante de tanta destruição, nós decidimos salvar uma área da bacia hidrográfica do rio Itajaí que concentra uma grande quantidade de rios e nascentes, ou seja, estamos salvando concretamente dezenas de quilômetros de matas ciliares e uma riquíssima biodiversidade. Com muito esforço, usando nossas economias, já conseguimos salvar 860 hectares, que foram comprados pedacinho por pedacinho. Deste total, 215 hectares foram comprados pelo Instituto Rã-bugio para Conservação da Biodiversidade com dinheiro de doadores, que se sensibilizaram com a nossa luta. Quase toda a área já foi transformada em Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), condição que preservará essa área do desmatamento para sempre.

Estas poucas matas preservadas que restam e que lutamos para salvar também são castigadas toda a vez que chove muito. Sofrem os efeitos das degradações causadas no entorno, como a ocupação irregular das bordas dos penhascos, as chapadas. A cada chuva forte ocorre um deslizamento de grandes proporções. Toda a vegetação e detritos vão parar no rio, represando suas águas até encher rapidamente e estourar, formando uma cabeça d’água — com vários metros de altura –, com um poder de destruição semelhante a um tsunami avassalador, que devasta as margens, arrancado árvores centenárias e destruindo os barrancos.
(…)

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