Henry Miller & Laurence Durrell

[tweetmeme source=”romulomafra” only_single=false]estou lendo, atualmente, dois livros. um se chama “Irmã Monika“, de E. T. A. Hoffmann, escrito lá nos idos de 1815, ou seja, bem, há muitíssimo tempo. além de escritor, Hoffmann também foi diretor de orquestra, compositor de óperas, diretor de teatro, catedrático respeitado e boêmio desaforado. e imagine ser isso tudo na virada do século XVII??? Hoffmann influenciou, só pra citar dois famosos, Alan Poe e Charles Baudelaire.
mas o que quero falar mesmo é do segundo livro, chamado simplesmente “Correspondência“, de Laurence Durrell (1912-1990) e Henry Miller (1891-1980), o famoso escritor estadunidense (e que teve um tórrido caso com a escritora francesa Anaïs Nin, mostrado sublimamente no filme Henry & June) de Trópico de Câncer, Trópico de Capricórnio, a trilogia Sexus, Nexus e Plexus, além de vários outros livros, tudo no começo do século XX, no período conhecido “entreguerras”.
e estou lendo “Correspondência” com um certo prazer único. pois, além do livro ser muito raro no Brasil, pelas buscas que fiz, encontrei apenas uma edição na Estante Virtual, ao preço irrisório de 18 reais, e uma edição portuguesa de 1965!!! ou seja, o livro das correspondências entre os dois escritores foi publicado com os mesmos ainda vivos! e isso é citado.
isso sem contar a história dos dois, não muito incomum pra época, mas, como envolve dois grandes nomes da literatura mundial, é, no mínimo, interessante, pois Durrell (*) mandou uma carta em 1935 pra Miller onde indica a obra do escritor estadunidense (mas que morava, então, em Paris) como “a única digna do Homem de que este século se pode gabar”, ao que Miller responde ao anglo-inglês que morava na Grécia como a única carta inteligente de um britânico recebida por Miller sobre seu livro (Trópico de Câncer).
dali em diante, nasceu uma amizade entre os dois que durou 45 anos, até a morte de Miller em 1980.
e, por isso, todo esse prazer na leitura deste raro livro, sobre dois personagens raros da nossa literatura, comentando sobre suas vidas, sua época, suas agruras, alegrias, e, sobre sua arte.

(…) Quando o homem toma plena consciência dos seus poderes, do seu papel, do seu destino, é um artista e cessa de debater-se com a realidade. Torna-se num traidor à raça humana. (…)” Laurence Durrell, em carta de 3 de janeiro de 1937, na página 68 do livro.

(*) o nome de Durrell está escrito errado na capa do livro, conforme errata publicada na mesma edição

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