“A Copa que eu vi”

um artigo de Moacir Kienast:

moacir kienast copa 2014Pode soar estranho, mas o que chamou a atenção na Copa que eu vi foi o potencial do brasileiro. Provavelmente pelo nosso complexo vira-lata, expressão criada por Nelson Rodrigues para explicar a crença do brasileiro de que somos piores em relação aos outros.

Explico: fui com minha filha mais velha ao jogo entre França e Nigéria, válido pelas oitavas de final da Copa do Brasil nesta segunda-feira em Brasília. E as impressões foram as melhores possíveis.

Ao chegar no aeroporto, vi uma infinidade de pessoas e nenhuma fila. Não havia atrasos nos voos tampouco caos no saguão. Havia obras inacabadas, mas que não geravam transtorno aos usuários. Transitar por Brasília foi fácil, principalmente pelas novas estradas que faziam a ligação do aeroporto ao Plano Piloto, local onde fica o estádio nacional Mané Garrincha. O transporte público funcionava integrado ao jogo, com ônibus gratuitos levando torcedores à rodoviária e a outros pontos estratégicos para dispersão do pós-jogo.

Dentro do estádio, além da estrutura fenomenal, a organização e aporte da estrutura física foram itens que me chamaram a atenção. Os voluntários e a segurança trabalhavam em sincronia, proporcionando facilidade tanto para chegar quanto para transitar e sair do estádio. Afinal, o jogo teve um público de 67.882 pessoas, e não levamos mais de 10 minutos para estarmos sentados na cadeira. Os banheiros e lanchonetes estavam funcionando bem e tinha um número impressionante distribuído por todo o estádio, apesar das filas que se formavam.

Esse detalhe das filas é importante, volto a citar em breve. O sinal de telefonia e o 3G estavam funcionando dentro do estádio, havia sinal de wi-fi livre disponibilizado pelas operadoras de celular e o wi-fi do estádio, que precisava de senha porém era de fácil acesso.

Essa está sendo a copa da inclusão. Muitos cadeirantes, pessoas com mobilidade reduzida e inclusive deficientes visuais acompanhavam o jogo. O preço dos produtos no estádio estava acessível, tanto para alimentos e bebidas quanto para os produtos vendidos nas lojas oficiais.

A Copa estimula o turismo e divulga o Brasil. Conversamos com pessoas de nove países diferentes. Torcendo juntas, lado a lado, celebrando a união dos povos e o esporte, todas foram unânimes em reconhecer e elogiar a copa no Brasil, além das belezas do país, visão de todos que vêm nos visitar. Números do Ministério do Turismo mostram que o país recebe poucos turistas comparados a nosso vizinhos. Dinheiro entra com a visita destes turistas, o comércio é estimulado, o setor de serviços também. Porém a maior reclamação foi com a prestação de serviços. E aí voltamos ao assunto da fila.

Faltam pessoas capacitadas para trabalhar e atender o turista estrangeiro. Apesar da boa vontade de todos, característica dos brasileiros, poucos conseguiam se comunicar falando inglês ou a língua de nossos visitantes, principalmente nas lanchonetes do estádio e nos restaurantes, bares e hotéis da cidade.

O espetáculo padrão Fifa é algo surpreendente que não deixa passar um detalhe sequer. Daí onde podemos entender as reinvidacações dos brasileiros. Queremos e podemos ter um Brasil assim. Precisávamos, quem sabe, ter um evento como esta Copa para provar que somos capazes. Pois, se os brasileiros estão seguindo o protocolo e realizando a Copa das Copas, posso dizer que o que queremos depende somente de nós.

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