Meus 40 anos!

1977Há quarenta translações da Terra, às 19h50, uma moça de vinte anos, Rosimare Borba Mafra, torna-se mãe, e Nivaldo Mafra, pai. Meus pais. Num dia trinta de março de mil novecentos e setenta e sete. Num dia onde caiu um forte temporal, que minha mãe lembra, ainda quando estávamos eu e ela na maternidade aqui em Itajaí. Neste mesmo dia, em 1939, aparecia pela primeira vez o Batman! Um ano antes deste 1977 onde nasci, foram registrados os primeiros protestos pelo Dia da Terra, na Palestina! Já no meu quarto aniversário, o presidente dos EUA, Ronald Reagan sofria um atentado à bala. E no meu vigésimo-nono aniversário, Marcos Pontes tornava-se o primeiro cosmonauta brasileiro, a bordo da Soyuz! Mas, um dos pontos que mais gosto deste trinta de março de setenta e sete, é que Vincent van Gogh completaria, no dia em que nascia 124 anos (Paul Verlaine, outro dos grandes nascidos no mesmo dia que eu, faria 133 anos no trinta de março em que fui dado à luz). Uma honra ter nascido no mesmo dia de um dos maiores pintores da História!

210432_10150165600113104_5132866_oAh, sim, vivíamos o período mais violento da Ditadura Militar, quando o regime que derrubou um governo eleito em 1964 decidiu atacar com todas as suas armas aqueles que queriam de volta a Democracia, onde muitos dos homens e mulheres que lutavam por isso foram barbaramente presos, torturados e mortos sem nem mesmo saberemos onde seus corpos eram enterrados. Dois dias após meu nascimento, no 1º de abril — aniversário de 13 anos do Golpe Militar de 64 — o general Geisel fechava o Congresso brasileiro, reaberto 13 dias depois. Capa da Folha de S.Paulo: “Congresso fechado; Reformas Políticas; Reformas no Judiciário; Não haverá cassações agora“. Mas, na matéria, indicava: “não haverá cassações, se não houver fatos supervenientes“. Já no editorial, a Folha dizia algo que lembra muito a campanha midiática destes dias atuais: “LEGITIMAR AS REFORMAS“! “O País observa com APROVAÇÃO o fato de o presidente da República ter apresentado o recesso como medida de caráter reformista, e não como uma punição imposta ao Congresso“, dizia parte do editorial da Folha. No 3 de abril, ainda a Folha: “Crise foi artificial, diz MDB“, sobre a crise que teria levado ao fechamento do Congresso; o The Times, citado na mesma matéria da Folha contava que “era a maior crise dos últimos dez anos“. Dias depois do congresso reaberto, a mesma Folha dizia: “Consumada a Reforma Política“!
Palmas, palmas, esse era o Brasil da Ditadura. O Brasil onde eu nascia. (ah, palmas também não podia, já que, em outra parte do editorial, fala que foram proibidas “manifestações públicas, comícios, passeatas, concentrações e ‘quaisquer iniciativas semelhantes’“. Ué, mas e o país não aprovava tudo isso, por que proibir os ajuntamentos que provavelmente estariam comemorando o fechamento do Congresso, né? Outros trechos do caderno de opinião, eram todos favoráveis, inclusive, enaltecendo a “coragem de tomar decisões enquanto a água ferve (…) indiferente ao que a opinião pública e oficial do resto do mundo possa pensar ou dizer“. Mais palmas! Ops. Corta.)

553018_10151870389883104_1549233219_nEntretanto, na música, os tempos eram outros. Inclusive, no Brasil, a música brasileira já era conhecida no mundo todo, e, provavelmente, neste trinta de março, tocava nas rádios brasileiras (sinceramente, não sei se havia alguma rádio em Itajaí que tocasse os sucessos da época) a belíssima e forte “Como nossos pais“, cantado pela Elis Regina e que fora lançado poucos meses antes. No dia em que nasci, nos Estados Unidos, o grupo Commodores lançava seu álbum homônimo que continha a famosíssima “Easy“. Também lá, a música que estava em primeiro nas rádios neste dia era “Rich Girl” do Hall and Oates (uma das mais famosas que é impossível não citar, é “Dancing Queen”, do Abba, que tocou muito em 77– apesar de ter sido lançada em agosto de 76 — e nunca mais parou, praticamente). Voltando para o Brasil, 1977 teve grandes músicas, e entre as mais tocadas, além do Agepê com “Menina dos Cabelos Longos” que foi do seu primeiro disco, teve a inconfundível “Amigo” de Roberto e Erasmo Carlos, além de “Maluco Beleza” do Raul, “Romaria“, também da Elis, que estourou neste ano. Até era algo que gostaria de saber mais, sobre o que tocava por aqui, no ano em que nasci.

207486_10150165557518104_6549362_nEnfim. Aí está uma pequena crônica sobre este dia do meu nascimento, o 30 de março. E, inclusive, até aprendi um pouco mais sobre a história do país, com os acontecimentos daqueles dias debaixo dos porretes, da censura e das faltas de liberdades democráticas que acabaram nos atrasando muito enquanto nação, e os quais ainda sentimos atualmente seus reflexos — e que também estes dias têm forte relações, inclusive, apesar de vivermos um suposto estado democrático.

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Uma resposta to “Meus 40 anos!”

  1. Leandro Says:

    Felicidades!!! Vida longa e próspera Rômulo!

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